Os que gostam de ler

Da realidade além dos nossos sentidos



Existe uma coisa muito além da minha compreensão.
Existe algo que eu sei que existe, mas prefiro não acreditar.
Não é uma questão de orgulho, mas mais uma questão de constatação.

De alguma forma eu sei que existe algo atrás da moldura da realidade. Em qualquer lugar que eu olhe, para o lado que for eu sei que existe alguma realidade que não pode ser sentida por meio dos nossos sentidos tão comuns. Eu sei que por trás do véu da realidade existe um universo imenso de coisas que eu não sei como explicar.



Mas a minha percepção não se resulta em uma simples constatação. Eu não sei o mecanismo e nem como chegar lá do outro lado, mas como eu sei que existe esse outro universo, isso eu posso explicar.

Esse assunto já fora objeto de discussão por uma série de pensadores respeitáveis. Platão, Kant, só para citar alguns. Meio que da mesma linhagem todos sabiam que existia um mundo ou algo além da nossa compreensão e que esta coisa ou realidade não poderia ser alcançável por nossos sentidos. Enquanto Platão acreditava que pelo caminho da busca da sabedoria seria possível encontrar o mundo real, Kant, finalmente, pôs um fim nisso tudo e disse que seria impossível compreendermos o objeto em si, ou a coisa em si.

Deixando de lado o raciocínio, eu tenho certeza de que algo além da minha compreensão existe. Seria ingênuo ou um perfeito imbecil para afirmar o contrário. Mas na medida em que acredito na possibilidade de existência dessa outra coisa, acredito, por outro lado, que é impossível alcançarmos através dos nossos sentidos.

Isso tudo é um grande mistério. Talvez esta é a razão para tanto segredo.

No inferno


Quando acordei percebi que no inferno eu estava. Mas o que me chamou mais atenção foi o que vi por lá.

Ao adentrar aquele corredor em que ambos os lados estavam repleto de gente sendo torturada e queimada “viva” eis que me deparo com os falsos moralistas e mais, aqueles que pregavam a palavra de deus na terra.

Fui junto a eles. Antes que a minha pena pudesse ser pronunciada fui até eles e questionei o porquê de eles estarem ali, no inferno, haja vista que por tanto tempo pregaram em nome deus e tudo o mais.

Mas para a minha surpresa não foi o numero de gente que fora enganada por seus meios ardilosos que os colocaram naquela condição.  O que havia lhes colocado naquela situação fora o desrespeito para com ele mesmo.



Achei estranho então indaguei a um desses pastores que estava ardendo qual fora o desrespeito que o levou a ir para o inferno. Simples, ele me respondeu, o fato de enganar os outros para adquirir bens em seu próprio nome resultava numa situação em que ele enganava a si mesmo, pois é sabido que o filho de deus preferiu viver junto aos pobres do que com aqueles que sequer estendiam a mão para o pobre miserável. E mais, é sabido que no reino de deus apenas os humildes e aqueles que tem compaixão entram em tal morada. Não há espaço para aqueles que não respeita a vida alheia e a própria vida.

Perguntei por que não há uma prostituta no inferno. E me respondeu que o maior pecado que uma prostituta poderia cometer é amar muitos homens.

Então perguntei por que aqueles que mantinham relações com pessoas do mesmo sexo não esta aqui no inferno. Simples, ele me respondeu, ninguém é julgado por sua própria natureza, se assim fosse aqui estaria repleto de animais e não é isso que deus prega. Ele prega o amor acima de tudo. E nós, quando nos utilizamos dos meios ardilosos para adquirir bem alheio não respeitamos esse principio, não respeitamos o amor ao próximo e isso foi a condição sine qua non que nos colocou na condição em que nos encontramos.

O cosmos te chama


Mantinha sempre o mesmo ritual. Aparentemente místico, oculto, exótico ele praticava cada ato com a devida referência.

Ao acordar tomava o seu banho de sal grosso sempre olhando em direção onde nasce o sol.

Vestia cada peça do seu manto como se cada peça fosse sagrada.

Ao terminar de se vestir olhava para a janela da personalidade. Ensaiava cada gesto que deveria ser usado para aquele dia especial.

Após esses atos preparatório, passava mão em sua mala e assim encaminhava-se ao templo das realizações.

Lá chegando dava inicio aos trabalhos ritualísticos e assim começava o inicio de mais um dia de trabalho como todos os outros.

Certa vez, quando saia de sua morada, ao atravessar a rua, fora surpreendido por dois sujeitos que declararam instantaneamente os seus últimos segundos no plano terrestre.

Eis que o fogo lhe atingiu. Sua alma partira de teu corpo. Agora ele pertencia a uma outra dimensão.

Quando chegou lá se deparou com seres que não aparentava ser o que chamavam de humano. Aliás, não havia reparado, mas as suas próprias características humanas também o havia abandonado.

Mas, estando lá em outra dimensão, reparou que estava diante de um tribunal. E que em sua volta havia muitos dos seres que ele havia identificado como não humanos.

Olhou para cima e viu um céu, mas no céu parecia refletir todo os momentos de sua vida. Desde o nascimento até a deixa na terra. Estava no eterno oriente. Estava prestes a descansar em paz.



O segredo do Rio Jordão - Cap. 1


Capitulo 1


Foto de Caio Tozzi

Quando começaram a namorar ele tinha vinte e um. Era muito jovem. Quando descobriu que ela fazia parte de um grupo de pessoas que rezam o terço na casa das outras pessoas ficou claro que deveria tomar outra postura para ter alguma relação carnal com Beatriz. Era simples assim, ele se comportaria durante alguns meses e enquanto isso procurava um jeito de fazer a cabeça dela. Convenceria ela de que deveriam dormir juntos e quando isso acontecesse, pronto, acabou, mais uma mulher conquistada e feita para o mundo.

No colégio ele era conhecido como o “senhor quebra cabaço”. Gostava dessa reputação. As pessoas olhavam para ele com respeito. Alguns com ódios, pois gostava de roubar as namoradas daqueles pobres coitados que se quer tinham um centavo no bolso para levar a namorada para tomar um sorvete. E ele, como não era bobo, pegava o carro do pai – que também era um porcaria como o filho – e saia pagando de playboy. As meninas adoravam sair com rapazes com carros. Elas pediam a ele que as levassem para qualquer lugar: “eu vou pra onde você me levar Gustavo”. E era essa a boa reputação que Gustavo queria manter, do cara que pega as menininhas que gostavam de dar uma volta no carro. E não só isso, mas o “senhor quebra cabaço”, pois todas essas menininhas eram virgens, e com a ajuda da aparência do carro, elas achavam que Gustavo era mais velho – por que dirigia, mas ainda não tinha habilitação – logo, faziam qualquer coisa para que ele as levasse para onde Gustavo queria levar.

Quando conheceu Beatriz pensou que poderia aplicar o mesmo golpe. Ela já estava na faculdade e ainda não havia se deitado com um cara. Era a chance de Gustavo deflorar uma garota da faculdade. Isto por que a maioria das garotas – as belas – da faculdade já não eram mais virgens, isto por que a maioria delas já andaram de carro antes dois quinze. Então, quando Gustavo ficou sabendo que Beatriz era a pedra preciosa da sala de aula, não perdeu tempo.

Quando sentou do lado de Beatriz pela primeira vez estava na sala o professor de filosofia. Ele estava falando alguma coisa sobre o mito da caverna, uma teoria criada por um sujeito chamado Platão e que viveu numa época antes de cristo, coisa pra gente chata. Com Gustavo não gostava de perder o seu tempo vendo aulas de filosofia o seu ego inflou e o seus neurônios forma se perdendo com o tempo. Seu motivo de viver foi esquecido, ou melhor, jogado no lixo, isto por que só existe uma filosofia a seguir, eu quero sexo e pode colocar mais. Existia uma figura no mundo filosófico que despertou a simpatia em Gustavo e foi um meio habilidoso que se utilizou para chegar mais perto de Beatriz. Esse sujeito era Santo Agostinho, celebre pela sua máxima “Deus me conceda a castidade, mas não agora”. O engraçado nisso tudo é que (...)


Para continuar lendo ao capitulo 1 visite a pagina aqui.

Carta Aberta ao povo brasileiro



Povo brasileiro.

Estamos a beira da calamidade da moral e da ética neste país. Escrevo isso com imensa tristeza, pois assim como muitos dos poucos que poderão ler esta carta, eu também sou brasileiro e amo o meu país.

Passamos por momentos difíceis no passado. Interpusemos a democracia na esperança de nos livrarmos da repressão que encobria todo e qualquer ato de violência. Foi com o nosso suor, com a nossa cara pintada que conseguimos expulsar aqueles que feriam o coração deste país. Faz exatamente pouco mais de 20 anos que vivemos sob um regime democrático. Eis que na primeira eleição livre de qualquer coação colocamos um individuo que fez mal ao povo brasileiro no seu segundo ano de mandato. O expulsamos da cadeira que nós havíamos colocado. Porém, insistimos no erro ao eleger outra vez mesmo sabendo que no passado ele havia prejudicado a todos nós.

Toco neste assunto pois o Brasil passa por sérios abusos da moralidade, do desrespeito ao principio da legalidade, e qualquer outra virtude que nos diferencia dos animais... afinal, julga-se que eles são irracionais e nós, pelo contrário, somos “racionais”.

Erramos ao eleger um inimigo do Estado brasileiro. Mas anos mais tarde colocamos ele mais uma vez na cúpula do poder.

Pois bem. Agora os ventos são outros. O que temos? Temos o senado contaminado por corruptos e falsos moralistas. Nossas casas são invadidas por impostos enquanto que eles discutem todos os dias a possibilidade de um 15ª, 16ª salário!

Vivemos o horror. O que me impressiona povo brasileiro é a nossa capacidade de assistir todo esse horror sentado e calado. Estamos inertes! E como poderemos ter orgulho um dia de um passado que estamos escrevendo? Como poderemos dizer aos nossos netos, ou filhos que vivemos num país onde se é respeitado a justiça, onde todos são livres e que aqui se respeita os direitos humanos? Como faremos isso diante de uma sociedade que não se mexe ao ver grupos partidários promoverem jantares para pagar as multas de seus companheiros que foram condenados num dos maiores julgamentos da história deste país?

Eu não sei responder se posso acreditar na justiça. Enquanto centenas de pessoas morrem por descaso dos governantes em fiscalizar casas noturnas, eles elegem um corrupto, um homem que tem a alma suja da mais absurda sujeira que se pode descobrir no âmbito da moral e dos BONS costumes!

O carnaval esta prestes a começar. Iremos ver centenas, milhares de pessoas saírem as ruas para comemorarem o carnaval. Mas nunca veremos centenas e nem milhares de pessoas saírem as ruas para reclamar dos escândalos que vemos por aqui. Enquanto isso o negócio ferve na Índia por causa do estupro de uma jovem num ônibus. A coisa é feia lá no Egito, pois lá se comemora a primavera árabe. E aqui no nosso país... Comemoramos jogos de futebol e festas como o carnaval!

Toma vergonha nessa cara povo brasileiro e veja nos jornais a imagem de um homem absurdamente corrupto tomar posse como presidente do Senado.

E vejam que mesmo com o abaixo assinado, mesmo com o clamor das mídias, mesmo com os escândalos e processos tramitando na justiça, o Senado brasileiro fez questão de colocar este homem mais uma vez no poder! Escutem amigos! O SENADO NÃO OUVIU O NOSSO GRITO DE PROTESTO!

Eu amo meu país, mas assim, do jeito que esta, não tenho a minima vontade de bater no peito e dizer que sou brasileiro...

O despertar de José


Quando abriu os olhos José não sabia onde estava. Não tinha lembranças de nada e nem de como foi parar ali naquele lugar que aparentemente é lindo. Estava deitado numa espécie de jardim com grama muito bem cuidada. Aos poucos foi recuperando os sentidos e quando definitivamente abriu os olhos pode ver que na sua frente o sol nascia. “Parece brotar do chão” penso José por um tempo enquanto o sol ia aparecendo devagar.

Depois de algum tempo admirando a natureza, José resolveu olhar para trás. Deparou-se com um monte extremamente grande, soberano, imponente. Podia ver dali que mais pro canto direito, da posição que estava, ele podia ver água caindo do alto do monte, era uma linda cachoeira.

“Oras, onde estou?” pensou enquanto passava a mão pela cabeça. Eis que reparou que não havia mais cabelo na sua cabeça. Achou isso estranho.

Por onde ele corria os olhos ele via verde, lindas flores, algumas cachoeiras, mas nenhuma pessoa. Não sabia onde estava, não sabia por que seu cabelo não estava lá e não entendia a razão de estar nu... José levou um susto ao perceber que estava nu. Mas algo tinha acontecido com ele, pois ele não se importava com o fato de estar nu.

Então, José resolveu andar e explorar aquilo que anteriormente parecia ser um jardim, o que de fato não era. Depois de um longo passeio, José encontrou um ponto que era repleto de arvores. Resolveu ir para lá. Quando chegava perto começou a escutar som de aves e outros animais. Passava uma cachoeira por ali perto. O som das águas indo de encontro com o chão se misturava com os sons que daquela mata surgia.



Não sentia medo de entrar naquele lugar que aparentemente poderia ter algum animal selvagem. Algo lhe dizia em sua consciência que o medo não era mais necessário naquele lugar.

Eis que José então disse em voz alta: Por acaso estou no paraíso?

Então, José sentiu que alguma coisa se aproximava na direção dele. Era algo muito rápido. Não fazia sentido. Alguma coisa ia lhe atacar e ele não sabia de onde vinha tamanha impressão.

Mal sabia ele que era a sua mente interior indo ao encontro dele para responder a sua pergunta e dizer que ele acabara de entrar no paraíso perdido...

Quando retornar para casa


Sabe o que era que eu mais gostava antigamente? Perguntei ao outro...

“O quê?”.

Gostava de olhar para o céu e contar o número de estralas...

“Consegue imaginar que além das estrelas que existiam no céu havia mundos além do nosso”?

Não – respondi.
Quando era pequeno gostava de acordar cedo, principalmente de domingo. Na cabeceira da minha cama ficava a janela. Minha mãe sempre abria a janela em dia de domingo. Os homens soltavam fogos, não sei por que razão. Mas hoje sei que o motivo pelo qual as pessoas faziam isso nada mais era pelo motivo de comemorar mais um dia de vida. Mas o que me tocava naquela situação toda era que eu poderia ver o azul claro do céu. Era tão lindo...

“Você realmente duvidou de tudo isso que você vê hoje?” – perguntou a entidade para mim.

Então respondi:

Eu era feliz quando criança. Gostava de ver o sol nascer e gostava de ver o sorriso das pessoas quando me davam bom dia. Quando cresci e me tornei o homem que deixou de existir, eu havia me esquecido como era nascer num mundo tão puro e tão belo como é este...

“Mas você não me respondeu...” – disse a entidade para mim.

Eu respondi sim. Você é quem não percebeu o quão tolo eu fui para duvidar de toda a criação e toda a engrenagem que existe na vida. E hoje, mesmo depois de morrer e ter sido enviado para outras dimensões, eu percebo o quão estúpido eu fui...

“Não faça isso. Você era carne, e a carne é fraca. Os homens erram, a humanidade precisará nascer outra vez. Não se condene por ser tão pequeno a ponto de duvidar de toda a existência. Não se condene”.

Mas uma coisa é certa – disse.

“O quê?”

Terei de voltar ao primeiro grau para pagar pela minha estupidez. E novamente não me lembrarei das imagens que agora vejo passar diante de mim. Todas as lembranças, todas as imagens e sons. Todos os sentidos e emoções. Tudo isso pode ser sentido do outro lado da vida. Eu vou me esquecer e pode ser que eu esteja sujeito a duvidar e me esquecer dessa maravilha que é a imortalidade.

“Calma...” – disse a entidade. “Assim como tudo, você também terá de recomeçar do zero. Pois é isso que ele exige de tudo. E quem sabe, depois que morrer outra vez, você possa finalmente ir compartilhar do paraíso que é viver no Edem”.

Quando isso pode acontecer comigo? – perguntei.

“Não existe quando. Não existe como. Não existe tempo e nem espaço. Somente esteja preparado para a nova vida que terá de ser. E esteja pronto para retornar para casa...”



O segredo do Rio Jordão - trecho do prólogo

(...) Uma mulher sentava num restaurante com aquele que iria pedir-lhe em casamento, naquela mesma noite. Ela tinha um pouco mais que vinte e seis anos, e ele, vinte oito exato!
Ela conheceu ele na faculdade, cursava o mesmo curso que ela só que sentava nos bancos de do fundo da sala. Sempre aprontava e foi justamente isso que chamou a atenção dela. Ela é de família tradicionalíssima, moralista e dogmática. Ele gostava de sair pelas noites e se embebedar com os amigos, típico de um jovem da cultura ocidental.
Ambos cresceram na grande metrópole, São Paulo. Sabem muito sobre essa grande cidade. Conhece seus prédios, suas construções, sua cultura e civilização. O povo daqui adora sair por ai a noite, curti as night, mas ela não podia sair por que o pai não deixava.
O pai dela era um aposentado da policia militar. Muitos anos de trabalho lhe rendeu conhecimento suficiente para ter guardado ainda dentro de uma gaveta de seu escritório uma pistola. Sabe muito bem quem são as pessoas que caminham pela frente de sua casa, principalmente a noite. As noites de vigilância lhe rendeu boa experiência já que o Estado não investia na segurança e com isso a criminalidade foi só aumentando de tal forma que a ideologia em sua época era só uma: bandido bom é bandido morto.
Só que agora os tempos são outros. E com isso a velha ideologia da policia militar limitou-se a vigiar e esperar um bom aumento. A classe é cada vez mais deixada ao relento quando o assunto é sobre políticas publicas. O Estado nunca se preocupou e jamais se preocupará com a segurança da cidade. E é por isso que o Sr. Raimundo, pai de nossa garota, resolver ficar na vigilância das noites.
Foi numa dessas noites que o Sr. Raimundo percebeu que logo após o termino das aulas da filha na faculdade, ela era trazida até em casa por um rapaz. Bonito, mas não muito inteligente. Ele tinha uma postura de um cara sabido e tudo mais, mas Sr. Raimundo conhece bem as pessoas. Sabia que aquele jovem era pouco inteligente para passar na frente de sua casa acompanhado de sua filha. Ele mal sabia o perigo que estava escondido atrás da porta da casa de Beatriz, a jovem que está prestes a ser pedida em casamento.
Beatriz começou a namorar o jovem do fundo da sala. Ele a enrolou durante sete anos. Então resolveu pedir a mão e de sua namorada em casamento. Beatriz gostava dele. Mas seu pai implicava dizendo que esse jovem só queria mesmo era saber daquilo que as mulheres tem de melhor.
O desejo do pai de Beatriz, o Sr. Raimundo, era justamente que a filha seguisse os passos da mãe, já falecida por causa de um câncer no pulmão. De casar-se virgem. Seguindo a tradição da religião e dos bons costumes éticos da sociedade contemporânea.
Porém, mal sabe o Sr. Raimundo que os costumes morais dessa época já não são bem valorizados, e que Beatriz conhecia muito bem o que o pai lhe orientava. Ela ainda era virgem, mas aceitaria há tempos um pedido de casamento com quem fosse, em especial com o jovem do fundo da sala, para livrar-se logo de uma vez desse estigma e dessa cultura abalada que a família dela insistia em seguir.
Mal sabia ela que do outro lado do mundo há um grande homem, perdido dentro de seus questionamentos, em busca de solução para os seus problemas. Ele estava a procura das águas do rio Jordão.
Nesse rio Jordão há uma lenda que ainda nos tempos de hoje há um homem de nome João que pratica o mesmo ato que aquele que batizou o filho do homem praticava. Assim, muitos relatavam curas inexplicáveis.
Beatriz mal imagina que grandes surpresas estão para acontecer. Que sua vida vai mudar, que ela não irá casar com o seu namorado de sete anos, que irá fazer uma viagem para o outro lado do mundo e que lá se casará com um homem de cultura diferente da sua. Fará com que ela se torne rica. Ela perderá o gosto por aquilo que um dia estudou e trabalhou. Largará toda a sua história e assim viajará mais um pouco por terras desconhecidas. Lá, no oriente médio, encontrará um homem sentado na beira de um poço, seu nome é Baltazar, ele é aquele homem que tanto procura respostas. Ele a ensinará coisas sobre a vida que aprendera quando encontrou o homem que pratica o batismo as margens do rio Jordão.
Beatriz não espera por isso. Ainda sorri enquanto o seu namorado chama o garçom que trará numa bandeja a aliança a qual pretende colocar no dedo de sua amada. Seu namorado não sabe que todo o seu plano que havia traçado para finalmente conseguir dormir com Beatriz irá por ralo a baixo. E isto por que os céus não querem que eles fiquem juntos, isso, é claro, somado com a vontade do pai.


Olhava para o horizonte. Tudo o que via fazia com que sua atenção só aumentasse. Estava ali durante horas. Já tinha perdido a noção do tempo.

Olhava para alguma coisa monstruosamente grande que estava a sua frente. Tinha acabado de nascer. Estava extremamente vivo.

Por dentro passava várias idéias. As mais virtuosas. Ele olhava só para uma coisa. Olhava para a cidade. 


Entre as estrelas




Em algum lugar daquele monte de estrelas que existem no céu, existe um planeta possivelmente igual o nosso. Pois bem. Neste planeta existe uma figura feminina de mim, vive a mesma vida, teve as mesmas experiências, e agora olha para o céu (exatamente como estou olhando agora) procurando tentar entender o que faz aquele monte de estrelas no céu.

O que de fato ela não sabe é que a “n” milhões e milhões de anos luz de onde ela esta, num planeta azul esta eu... também procurando entender algumas questões... e uma delas sem duvida é o porquê dela ter surgido tão longe a ponto de apenas poder tocá-la em minha imaginação, sem chance alguma de tentar ter com ela qualquer tipo de relação, já que ela se encontra tão longe, longe, longe de mim...


Sobre as coisas do coração


Sempre que ouço essa musica me vem a mente coisas boas. Mas isso não quer dizer que a sua letra tem a ver com coisas boas. Aliás, nem sei ao certo o que essa letra quer dizer.

Estava com vontade de escrever um pouco sobre as coisas do coração.

Quando estamos na escassez das emoções nós, seres de carne fraca, nos refugiamos aos prazeres da vida. Drogas, sexo, e tudo o mais que poderia nos levar direto para o inferno.

Quando estamos machucados por alguma coisa que nos foi tirado e, assim, acabou indo embora, nós nos acostumamos a botar a culpa no mundo. Achamos mesmo que a culpa é do mundo e da vida. Cúmplice dessa maldade que nos afetou, age em conluio com o mundo que nos magoou. Assim, eis o momento em que jogamos praga para deus e os homens. Tudo o que sabemos é que o nosso coração esta ferido e não há nada e nem ninguém que possa nos curar.

Depois de um longo e curto tempo em penitência. Assim que resolvemos fazer as pazes com o mundo e a vida, nós, seres de pouca consciência de quem somos, saímos as pressas em direção ao lugar de onde vem o sol, na espera de alguém que possa reconstruir nosso coração, juntando pedaço por pedaço até formar um belo coração.

Ah! E se me perguntares que musica estava a ouvir, diga por ai que Eu era um lobisomem juvenil, e como esta noite não tem lua cheia resolvi voltar para casa e sonhar tudo outra vez!